A importância das cores no produto digital

A importância das cores no produto digital
Maria Isabelle Silveira
Maria Isabelle Silveira

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As cores são elementos fundamentais que moldam a experiência do usuário em produtos digitais.

Muito além da estética, elas são ferramentas estratégicas que influenciam a interatividade, a acessibilidade e a eficácia da interface.

Neste artigo, vamos explorar como utilizar as cores de forma intencional e efetiva.

O poder psicológico das cores

O Gif apresenta quatro círculos coloridos alinhados horizontalmente dentro de um retângulo branco com bordas arredondadas. Da esquerda para a direita, os círculos são: vermelho, verde, azul e roxo. Ao clicar em um dos círculos, ele vira um retângulo e dentro dele há o código hexadecimal da sua cor.

Cada cor carrega significados e provoca reações emocionais específicas. Por exemplo, o azul transmite confiança e profissionalismo, enquanto o vermelho pode estimular ação e urgência.

No ambiente digital, essas associações psicológicas são especialmente importantes porque influenciam:

  • A primeira impressão que os usuários têm do produto
  • O tempo de permanência na interface
  • A probabilidade de realizar ações desejadas
  • A memorabilidade da experiência
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Acessibilidade e usabilidade

Um aspecto crucial na escolha das cores é a acessibilidade. Aproximadamente 8% dos homens e 0,5% das mulheres possuem algum tipo de daltonismo, o que torna essencial considerar:

  • Contraste adequado entre texto e fundo
  • Combinações de cores que funcionem para diferentes tipos de daltonismo
  • Alternativas não baseadas em cor para transmitir informações importantes

Aplicação das cores na interface

Gif animado de um botão de download em azul claro com bordas arredondadas e texto em branco que mostra “Download’. Ao ser clicado, aparece uma barra de carregamento e ao chegar em 100% o download é completo.

Quando falamos sobre aplicação das cores na interface, precisamos considerar primeiramente a hierarquia e estrutura visual.

Os elementos primários, como botões de Call to Action (CTA), devem utilizar cores vibrantes e contrastantes, mantendo consistência em toda a interface.

Por exemplo, um botão "Comprar agora" pode usar um azul vibrante (#0066CC), mas é importante limitar o uso a 2-3 elementos por tela para evitar competição visual. Já os elementos secundários devem utilizar tons mais suaves ou variações da cor primária, sendo aplicados em botões secundários e links de suporte.

Os elementos terciários, por sua vez, funcionam melhor com cores neutras ou tons mais claros, especialmente para textos informativos e elementos de background.

O sistema de feedback visual também é crucial na aplicação das cores. Para confirmações e sucessos, o verde (#2ECC71) é amplamente utilizado, preferencialmente acompanhado de um ícone de check e uma animação suave de fade-in.

Alertas e avisos podem utilizar amarelo (#F1C40F) para situações não críticas e laranja (#E67E22) para avisos importantes.

Erros e problemas críticos são tradicionalmente sinalizados em vermelho (#E74C3C), mas devem ser usados com moderação para não causar ansiedade no usuário.

Distribuição das cores

Imagem mostrando a regra 60-30-10 de distribuição de cores. Uma barra branca representa 60%, uma barra preta representa 30%, e uma barra roxa representa 10% da distribuição.

Quanto à distribuição das cores, a regra 60-30-10 oferece uma estrutura sólida. 60% deve ser dedicado à cor dominante, geralmente aplicada em backgrounds principais usando tons neutros como branco ou cinza muito claro. 30% corresponde à cor secundária, utilizada em elementos de navegação e estrutura como headers e sidebars.

Os 10% restantes são reservados para cores de destaque, aplicadas em CTAs e elementos interativos principais.

O balanço cromático é essencial, incluindo áreas de respiro com espaçamento branco entre seções coloridas e uso estratégico de gradientes e transições para criar profundidade.

As margens e paddings devem ser consistentes, evitando a poluição visual com excesso de cores.

Uso de cores na interatividade

Campo de entrada de texto com o rótulo ”Text Input” à esquerda em roxo escuro, texto placeholder em cinza claro dentro do campo, e o texto ”What's this?" em itálico à direita. O campo tem bordas suaves e arredondadas.

Os estados dos elementos precisam ser claramente diferenciados. O estado normal deve ter contraste suficiente com o background e aparência clara de interatividade.

No hover (mouse over), a cor base deve escurecer 10-15% com uma transição suave. O estado active (click/tap) escurece ainda mais a cor (20-25%) e pode incluir uma pequena mudança de escala.

O estado focus, importante para navegação por teclado, deve manter um outline visível de 2-3px em cor contrastante.

Elementos desabilitados devem aparecer dessaturados, com opacidade reduzida, mas ainda identificáveis.

As microinterações coloridas também merecem atenção especial. Transições e animações devem ter duração entre 200-300ms com timing ease-in-out para maior naturalidade.

Feedback de progresso pode incluir barras de carregamento coloridas e spinners com as cores da marca.

Na validação em tempo real, é comum usar verde para campos válidos, vermelho para inválidos e amarelo para avisos.

Os padrões de interação completam o conjunto, com links e elementos de navegação em cores distintas do texto normal, mudanças no hover e indicadores de visitado.

Seleção e marcação devem ter highlights claros, e elementos como checkbox, radio buttons e estados ativos em tabs precisam ser facilmente identificáveis.

Até mesmo scrollbars e controles devem seguir a mesma lógica, com cores sutis, mas visíveis e estados hover/active claramente definidos.

Conclusão

A aplicação estratégica de cores em produtos digitais vai muito além da estética. É um elemento crucial que impacta diretamente na usabilidade, acessibilidade e eficácia da interface.

Compreender e aplicar corretamente os princípios da cores permite criar experiências digitais mais inclusivas e efetivas.

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Até a próxima!

Maria Isabelle Silveira
Maria Isabelle Silveira

Graduada em Design pela Universidade Federal do Maranhão, com certificação em Designing High Impact Solutions pelo MITdesignX. Desde 2020, atuo na criação de elementos gráficos e, a partir de 2022, iniciei minha trajetória na área de UX/UI Design. Com mais de 2 anos de experiência, dediquei-me na construção de produtos digitais nos segmentos de educação, saúde e beleza, além da construção de produtos SaaS, dashboards e soluções para os mercados B2B e B2C.

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